Confira o bate-papo com Fernando Barcelos, Gerente Florestal da Guararapes, sobre os desafios e oportunidades de construir operações cada vez mais seguras, sustentáveis e produtivas
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Inovação e sustentabilidade (“Inovabilidade”) são pilares cada vez mais importantes para o futuro do setor Florestal. Em um cenário de transformações tecnológicas aceleradas e desafios ambientais crescentes, a busca por operações mais eficientes, seguras e responsáveis se tornou essencial para garantir competitividade e geração de valor no longo prazo.
Nesta entrevista, Fernando Barcelos, nosso Gerente Florestal, compartilha como a empresa tem incorporado novas tecnologias às suas operações, os avanços impulsionados pela área de Pesquisa & Desenvolvimento Florestal e o papel das pessoas na construção de uma gestão que equilibra produtividade, manejo responsável, inovação e segurança.

Quando falamos em inovação com sustentabilidade, nosso olhar vai além da performance operacional. Buscamos conectar a floresta ao negócio como um todo, utilizando tecnologia, automação e mecanização para tornar as operações mais eficientes, seguras e sustentáveis.
Com atuação em diversas frentes operacionais geograficamente distantes, a inovação é essencial para aproximar as operações de campo à tomada de decisão pela gestão, promovendo maior integração entre pessoas, processos e informações. Isso permite decisões mais rápidas e assertivas, maior controle das atividades e ganhos contínuos em produtividade e sustentabilidade. Ao mesmo tempo, contribui para criar um ambiente de trabalho mais conectado e alinhado às necessidades das equipes que fazem acontecer na floresta todos os dias.
Possuímos uma cultura muito voltada à inovação, algo que faz parte da essência da Guararapes e que naturalmente está presente na área Florestal. Nos últimos anos, intensificamos os investimentos em tecnologia para tornar nossas operações cada vez mais preparadas para os desafios futuros.
Dentre as tecnologias existentes para o processo de geoprocessamento, utilizamos drones, imagens de satélite e ferramentas de otimização com inteligência artificial para apoiar no monitoramento e processamento de dados, favorecendo maior agilidade na tomada de decisão. Também contamos com uma torre de controle operacional, em que utilizamos computadores de bordo instalados nas máquinas de campo para transmissão de dados operacionais, o que permite acompanharmos remotamente as execuções das atividades de colheita, estradas e plantio mecanizado.
Um dos grandes destaques do processo foi o avanço da mecanização do plantio. Iniciamos esse processo em 2025 e, atualmente, cerca de 63% da atividade é realizada com equipamentos que se destacam pelo alto nível de tecnologia e automação embarcada, plantando cerca de 1.600 mudas por hora. Esse é um avanço significativo, considerando que, no Brasil, principalmente na região Sul, o avanço na mecanização da Silvicultura é relativamente recente por conta da característica topográfica das suas áreas. Além dos ganhos em produtividade, essa evolução contribui para melhorar a ergonomia e segurança dos operadores, trazendo maior qualidade nas operações.

O maior desafio não está na tecnologia em si, mas na forma como as pessoas a incorporam ao dia a dia. As ferramentas estão cada vez mais acessíveis e evoluem rapidamente, mas é fundamental desenvolver uma cultura capaz de utilizar esse potencial de maneira eficiente.
Por isso, investimos continuamente no desenvolvimento das pessoas e no processo para gestão da mudança, reforçando que a tecnologia deve atuar como aliada das equipes, potencializando suas capacidades e apoiando na execução das atividades. Quando aplicada de forma estratégica, ela qualifica a tomada de decisão e impulsiona a eficiência operacional.
Ao mesmo tempo, reconhecemos que a tecnologia por si só não substitui bons processos. Seu potencial só é plenamente alcançado quando está apoiado a processos bem estruturados, padrões definidos e uma execução consistente das atividades. Em outras palavras, a inovação gera mais valor quando fortalece fundamentos operacionais sólidos já existentes.
Tudo começa por meio das pessoas. É fundamental que todos compreendam claramente os objetivos da empresa e o papel que desempenham para alcançá-los. Na Guararapes, a sustentabilidade é um pilar estratégico e está presente em todas as etapas da operação.
Possuímos processos estruturados, procedimentos bem definidos, auditorias internas, rotinas de segurança e acompanhamento constante das operações. Também mantemos um relacionamento próximo com as comunidades onde atuamos, monitorando possíveis impactos e atuando de forma responsável com as pessoas.
O equilíbrio entre produtividade, conservação ambiental e inovação acontece justamente pela integração entre pessoas, processos, equipamentos e tecnologia. É essa combinação que permite construir uma operação eficiente, economicamente viável, ambientalmente responsável e socialmente justa.
A criação da área de Pesquisa e Desenvolvimento Florestal nasceu de uma visão estratégica de longo prazo. Hoje trabalhamos considerando horizontes de planejamento que projeta três ciclos de produção florestal, representando aproximadamente 40 anos de estratégia.
Essa perspectiva, por ser cultura de longo prazo, nos permite operacionalizar decisões no curto prazo, que precisam ser implementadas para garantir a sustentabilidade e a competitividade do negócio no futuro. Foi a partir dessa visão que surgiram iniciativas voltadas à expansão da base florestal e aumento da produtividade, por exemplo.
A área de P&D Florestal tem um papel importante nesse contexto, especialmente em cenários estratégicos para competitividade, como melhoramento genético, adaptação às mudanças climáticas e desenvolvimento de novas tecnologias. O objetivo é antecipar panoramas visando aumentar a eficiência das operações e garantir que estejamos preparados para os desafios das próximas décadas.

Essas iniciativas desempenham papel fundamental estratégico ao fortalecer a colaboração entre empresas, centros de pesquisa e especialistas, acelerando a geração e a disseminação de conhecimento. Essa interação contribui para antecipar tendências e enfrentar desafios complexos, impulsionando a inovação e a competitividade do setor de forma sustentável.
Por meio dessas parcerias, conseguimos acessar resultados de pesquisas, acompanhar experimentos e trocar informações com empresas que enfrentam desafios semelhantes aos nossos. Isso acelera significativamente nossa curva de aprendizado e permite avaliar soluções que levariam anos para serem desenvolvidas de forma isolada.
Um dos principais desafios estratégicos está relacionado à expansão da base florestal, pois atuamos em uma região com disponibilidade limitada de terras e convivemos com uma crescente demanda por áreas produtivas.
Além do desafio de aumentar a base florestal, destaco o desafio de continuar inovando sem perder a essência que caracteriza a nossa atuação. A tecnologia continuará evoluindo rapidamente, e precisamos manter um olhar atento para novas oportunidades, alinhando inovação, sustentabilidade e geração de valor para o negócio.
Por fim, destaco um desafio comum a todas as empresas de qualquer segmento, que se refere à forma de atrair, desenvolver e reter pessoas. Mesmo com todos os avanços tecnológicos, são as pessoas que tornam as estratégias possíveis. Por isso, seguimos investindo em um ambiente que valoriza o desenvolvimento, o bem-estar e o crescimento dos colaboradores.
Ao mesmo tempo, esses desafios representam oportunidades. Se conseguirmos consolidar essa estratégia, fortalecendo nossos pilares de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento de pessoas, estaremos preparados para sustentar um crescimento consistente e de longo prazo.