Mudança de comportamento da sociedade e novos estilos de vida exigem móveis e propostas de arquitetura para atender projetos de coabitação e coworking

A crise financeira e o advento da economia compartilhada estão afetando significativamente o comportamento e estilo de vida das pessoas. Em especial, o público de faixas etárias mais jovens. Os chamados millennials, também conhecidos como Geração Y, abraçaram conceitos como partilhar e o acesso imediato a bens e serviços.

Casas e escritórios já não são exceção ao que poderia ser visto como uma constante “uberização” de todos os aspectos do consumo. Os principais centros urbanos internacionais, incluindo o Brasil, estão vendo o surgimento de novas fórmulas de coabitação ou de coworking.

Esta casa em Nagoya, no Japão, foi projetada pelo escritório Naruse Inokuma Architects. São 13 quartos e outras áreas abertas e compartilhadas de estar, jantar e cozinha. Foto: divulgação Masao Nishikawa.    Esta casa em Nagoya, no Japão, foi projetada pelo escritório Naruse Inokuma Architects. São 13 quartos e outras áreas abertas e compartilhadas de estar, jantar e cozinha. Foto: divulgação Masao Nishikawa.

O aumento dos custos de vida nas grandes cidades, exigência de garantias cada vez maiores para contratos de aluguel e compra, contratos inflexíveis, melhores serviços em novas plataformas e uma queda generalizada da renda também acabam por alimentar esses modelos.

Segundo especialistas em tendências e comportamento, o resultado direto desse novo estilo, são consumidores que colocam maior valor na qualidade das experiências do que na propriedade de bens. O desejo é por conveniência e conforto.

coliving-comportamento-blog-guararapes             Com um conceito próximo ao coworking, o co-living incentiva o convívio e a troca de experiências com outros moradores. Foto: Divulgação PSFK. 

NOVA PROPOSTA DE COMPORTAMENTO E PROJETOS
A co-vida ou coliving, outros termos utilizados para definir esse comportamento, traz grandes desafios de design para arquitetos e designers, e também para fabricantes de móveis. Isso, em vários níveis. Esse movimento significa que as casas estão se tornando cada vez mais lugares de geometria variável. Uma casa é capaz de abrigar várias gerações, diferentes tipos de famílias e membros com hábitos, valores, interesses e escolhas de vida compartilhados.

Para entender melhor o conceito, veja outros textos que abordam a ideia de coliving no Brasil: Uma nova forma de morar  e novo modelo de moradia urbana.

coabitacao-casa-compartilhadaAlém de compartilhar espaços comuns da casa, como sala e cozinha, os moradores se revezam em atividades da casa. Foto: divulgação Pinterest. 

ESPAÇO DOMÉSTICO E COMERCIAL EM MUTAÇÃO
Com isso, cada vez mais, os lares ganham novos contornos e o mobiliário vem se adaptando. Pias, armários, fogões e utensílios desaparecem por meio de tampos e portas deslizantes que se encaixam sobre eles, e deixam a bancada toda disponível e o design do ambiente clean.

Essa proposta, tendência crescente em feiras internacionais, como o Salão Internacional do Móvel de Milão, na Itália, permite criar diferentes configurações na área de cozinha e estar / jantar. Você pode preparar refeições, reunir amigos ou “acomodar” tudo para uma reunião online – trabalhando em home-office, por exemplo.

O coworking é um modelo de trabalho que se baseia no compartilhamento de espaço e recursos de escritório. Foto: divulgação Pinterest.          O coworking é um modelo de trabalho que se baseia no compartilhamento de espaço e recursos de escritório. Foto: divulgação Pinterest.

Mesas com diferentes regulagens de altura e sistemas de som e iluminação incorporados ao mobiliário também atendem esse conceito. Surgem ainda novas propostas de projetos que priorizam áreas de refúgio e de convívio, em especial, para lazer e refeições. Aliás, esse movimento tomou conta da área de escritórios.

O objetivo de compartilhar um espaço de trabalho é incentivar a troca de ideias, socialização e networking entre pessoas e funcionários. Foto: divulgação Wave Coworking.           O objetivo de compartilhar um espaço de trabalho é incentivar a troca de ideias, socialização e networking entre pessoas e funcionários. Foto: divulgação Wave Coworking.

Sim, junto com a ideia de compartilhar áreas de trabalho, veio a necessidade de estimular a socialização das pessoas. Logo, móveis e ambientes estão sendo adaptados para tornar o escritório uma extensão de nossas casas, mas sem que as áreas comerciais percam suas identidades.

perkinswill-bench-workstations-emapeterGrandes empresas e profissionais já começam a projetar móveis e ambientes para espaço compartilhados. Foto: divulgação Ema Peter. 

Renomadas companhias, como Herman Miller, Vitra, Cassina já incorporaram essa tendência em suas coleções. A badalada arquiteta Patricia Urquiola também revela sua percepção sobre a evolução do morar e do projetar nessa reportagem do Habitus Brasil.

Sede do Aibnb em São Paulo. Sentir conexão com o local de trabalho e socializar são elementos essenciais no mundo agitado e acelerado de hoje. Foto: divulgação Fran Parente.        Sede do Aibnb em São Paulo. Sentir conexão com o local de trabalho e socializar são elementos essenciais no mundo agitado e acelerado de hoje. Foto: divulgação Fran Parente.

E você, o que acha dessa redefinição da forma como as pessoas podem escolher viver e trabalhar? Pronto para pensar em novos móveis, ambientes e compartilhar algo além do sinal de Wi-fi?