Por que essas décadas são referência para o design, arquitetura e decoração de interiores? E quais influências dos anos 60 e 70 permanecem no cenário atual?

jason_lee-60s_interiorO mobiliário elegante e de linhas retas, bem como as cores cítricas da década de 60, atraem a atenção do público na decoração. Foto: divulgação J. Douglas Design.

A história é feita de ciclos e facilmente encontramos soluções e referências parecidas em décadas passadas. Alguns movimentos políticos e sociais também oscilam de forma periódica. Aliás, essa tendência é uma constante nos mercados da moda, arquitetura e interiores. E o resgate do passado, sobretudo dos anos 60 e 70, é uma proposta que vem forte no design e na decoração.

Originais ou com inspiração vintage, móveis, objetos e revestimentos dessa época imprimem um toque autêntico. Esses elementos podem estar combinados no ambiente ou ser peça-chave de uma composição. Há uma infinidade de maneiras de criar cenários e trazer o “velho” de volta. A diferença está na capacidade de rejuvenescer ambientes com as cores, propostas e formas características de décadas passadas.

ARQUITETURA IRREVERENTE DOS ANOS 60 E 70
Não é preciso procurar muito para encontrar projetos atuais, tanto de interiores, quanto arquitetônicos, dotados de formatos e traços incomuns. A tentativa é fugir do óbvio e criar uma informalidade irreverente. Para alguns, essa é a maneira encontrada para expressar a vontade de mudar paradigmas. Assim, também surgiram os lofts – armazéns antigos remodelados para serem usados como apartamentos. O que vale não só para os anos 60 e 70, mas também para os dias atuais.

Tons profundos, sofisticados e ousados das décadas passadas seguem em alta. Nada de bege ou branco. O que se vê é a força do amarelo, verdes profundos, tons azuis, marrons e laranjas terrosos. Cores viraram componentes arquitetônicos e um ponto chave para diferenciar móveis ou ambientes. O rosa millennium – cor pop do momento – demonstra bem essa aplicação na decoração. O grafismo nas paredes é outra tendência atual e que já foi vista no passado.

room-mate-giulia-hotel-milan-by-patricia-urquiolaRoom Mate Giulia Hotel projetado com um toque vintage e tem assinatura inconfundível de Patricia Urquiola. Foto: divulgação Room Mate Hotels.

A FORÇA DE BAUHAUS
Falar de anos 60 e 70 e não mencionar o movimento Bauhaus é impossível. A influência da Escola e suas vertentes de pensamento, desenvolvida em 1919, permaneceram atuais. Ou seja, muitos produtos e projetos arquitetônicos continuavam a primar por linhas funcionais e limpas. O objetivo da indústria foi buscar o ideal de forma e função, com uso racional dos materiais.

É verdade que o movimento teve várias fases e características atribuídas aos seus conceitos, mas chama atenção como elas continuam atuais. A combinação de arte, artesanato e tecnologia, que ganharam força no Pós-Guerra, também reforçaram a essência de Bauhaus. A presença de cerâmica, tecelagem e marcenaria, além do uso de novos materiais pré-fabricados e cores, foram algumas das características desenvolvidas.

bauhaus-vector-decor A regra básica do Manifesto da Bauhaus é que a funcionalidade dita a forma de produtos e da arquitetura, com uso inteligente do espaço e dos materiais. Foto: divulgação ArchDaily.

DIÁLOGO ENTRE CORES E ARQUITETURA
Para muitos a interação entre cores vibrantes e arquitetura é um jogo arriscado. Mas, como nas décadas de 60 e 70 quase tudo era permitido, isso nos abriu precedentes. Laranja, verde-limão, rosa, marrom, padrões e estampas geométricas, flower-power, círculos e curvas. Essas foram algumas das cores e estampas que permitiram inúmeras possibilidades ao décor.

rosa-candy-colorsOs tons candy colors trazem a elegância dos anos 60 e 70, marcando presença no décor com um clima sutil e atemporal. Foto: divulgação Andrew Meredith.

A popularidade da decoração sessentista e setentista também consiste na utilização do design e arquitetura para “protestar” contra os cenários políticos e sociais. Uma pesquisa detalhada sobre o contexto social, histórico e arquitetônico revela diferentes ligações entre profissionais, materiais e produtos. O Por Art, na década de 60, fazia uma crítica irônica ao consumismo e a cultura popular capitalista. Atual, não?

fabulous-pop-art-decor-credito-feelitcool Andy Warhol foi uma das figuras centrais do movimento Pop Art nos Estados Unidos. Tendência, essa, muito bem explorada no décor. Foto: divulgação Feelitcool.

Na década de 1970, por exemplo, a cultura hippie inspirou inúmeras outras tendências. Elas eram focadas principalmente na natureza, estampas e blocos de cores. Tudo isso funcionou em harmonia. Na arquitetura dos anos 70, as casas eram todas com o plano aberto e os espaços como a entrada, sala de estar e cozinha se conectavam.

O ESTILO RETRÔ NOS AMBIENTES
Outra prova que os anos 60 e 70 voltaram com mais força ainda são os objetos de decoração. Hoje, além dos ícones de design, você encontra uma grande variedade de objetos típicos dessas épocas – alguns com preços acessíveis.

Exemplos estão nas louças em estilo bico de jaca, os móveis em madeira e sem puxadores, mobiliário com pés palito e racks modulares. Isso sem mencionar as muitas cores e o uso intenso da madeira natural ou em painéis de MDF – capazes de reproduzir inúmeros desenhos e texturas. O desafio dos profissionais de arquitetura e interiores é reunir esses elementos e contextos sociais, e realizar um trabalho o mais atemporal possível.

decoracao-anos-60-70-blog-guararapesA decoração dos anos 70 criava ambientes alegres e apostava em móveis de madeira com linhas geométricas e pés palito. Foto: divulgação Pinterest.